Até quando tem de começar a migrar

Três perguntas. O resultado aparece de imediato — o email só é pedido depois, e apenas se quiser o relatório. A ferramenta não devolve um «risco»: devolve o ano em que a migração tem de arrancar para estar concluída a tempo.

Durante quantos anos os seus dados têm de permanecer confidenciais?

Contratos, registos clínicos e dados financeiros exigem tipicamente 10 a 30 anos.

O que é o Teorema de Mosca

O criptógrafo Michele Mosca resumiu o problema numa desigualdade que qualquer gestor consegue verificar sem saber matemática: X + Y > Q. X são os anos durante os quais os dados têm de continuar secretos. Y são os anos que a organização demora a migrar a criptografia. Q são os anos que faltam até existir um computador quântico capaz de quebrar a criptografia de chave pública actual.

Se a soma dos dois primeiros ultrapassar o terceiro, os dados que se cifram hoje já estão em risco — porque um adversário pode captá-los agora e decifrá-los mais tarde. É o ataque conhecido por harvest now, decrypt later, e não exige computador quântico nenhum para começar: exige apenas espaço em disco.

O que o Mosca não mede é o calendário legal. E é aí que a maioria das organizações se engana.

Porque existem dois prazos: o quântico e o regulatório

O relógio da confidencialidade varia com cada organização. Uma empresa cujos dados perdem valor em cinco anos pode, legitimamente, ter folga nessa conta. O relógio regulatório não varia com ninguém: o NIST recomenda depreciar RSA e ECC até 2030 e concluir a migração até 2035 (NIST IR 8547, 2024), e a DORA está em vigor desde Janeiro de 2025.

Por isso esta ferramenta responde à pergunta útil — até quando tenho de começar? — e não à pergunta que dá uma falsa sensação de segurança. O prazo que conta é o que morde primeiro, e a migração tem de estar concluída nessa data: o ano de arranque é o prazo menos os anos que a migração demora. Um parque grande com seis anos de migração e um prazo em 2030 tinha de ter começado em 2024.

Perguntas frequentes

O que é o Teorema de Mosca?
É uma regra simples do criptógrafo Michele Mosca: se os anos durante os quais os dados têm de permanecer secretos (X) somados aos anos necessários para migrar a criptografia (Y) ultrapassarem os anos que faltam até existir um computador quântico relevante (Q), então os dados que se cifram hoje já estão em risco. Escreve-se X + Y > Q.
Porque é que existem dois prazos e não um?
O Teorema de Mosca mede a confidencialidade: os meus dados serão decifrados antes de deixarem de precisar de sigilo? Esse relógio varia com cada organização e pode dar folga. O segundo relógio é regulatório e não varia: o NIST recomenda depreciar RSA e ECC até 2030 e concluir a migração até 2035, e a DORA está em vigor desde Janeiro de 2025. Uma organização pode ter margem no primeiro e continuar a ter 2030 pela frente.
A calculadora pode dizer-me que não tenho de fazer nada?
Não, e é deliberado. Mesmo quando a conta da confidencialidade dá folga, o prazo regulatório continua a aplicar-se. O resultado mais folgado chama-se janela aberta — que continua a ser um prazo, não uma dispensa.
O ano que a calculadora mostra é uma previsão?
Não. O horizonte quântico (Q) é uma estimativa de referência, não um facto, e está identificado como tal na ferramenta. O prazo regulatório, esse, é uma data publicada. O objectivo do resultado é ordenar prioridades e dar uma data de arranque defensável, não prever quando aparece um computador quântico.

Para perceber o ataque que torna isto urgente, leia harvest now, decrypt later. Para perceber o que substitui o RSA e o ECC, leia criptografia pós-quântica.